É o meu Ego, sim. Obrigada.
“Isso é o teu Ego”! Quantas vezes senti medo de ouvir esta frase! Quantas vezes vejo pessoas com medo de ouvi-la também! Talvez seja a crítica mais temida nos dias de hoje em contextos de desenvolvimento pessoal ou espiritual.
Não me parece que o ego seja um alvo a abater. Oiço muitas vezes falar com desdém sobre o Ego, apercebo-me da ideia difundida de que o ego é a origem de todo o sofrimento e que temos que o aniquilar. Nesta era em que a espiritualidade, ou “pseudoespiritualidade”, vai difundindo a mensagem de que o ego é um bicho mau a limpar, ficamos muitas vezes presos à ideia de que não podemos sentir isto ou não podemos sentir aquilo.
O ego é necessário para a nossa estrutura, para que possamos distinguir o eu do outro e possamos pôr limites. Todas as funções do ego são adaptativas, existem e garantiram a sobrevivência da nossa espécie. Há que honrá-las e honrar tudo o que somos e nos fez chegar até aqui.
Tudo no ser humano tem uma função. Apercebermo-nos e acolhermos isso, permite-nos criar espaço para a transformação das coisas menos saudáveis em nós. A recusa fecha, o acolhimento abre.
Enquanto quisermos “limpar” as coisas do ego, mantemo-nos presos a uma idealização endeusada do ser humano. Somos humanos e “para chegar a Deus há que aprender a ser humano”.
Não é o meu ego, é a minha sobrevivência. E o meu ego é necessário à minha sobrevivência. Tenho Ego sim, graças a Deus. Faço com ele o melhor que posso. Obrigada.